O Partido dos Trabalhadores (PT), uma das 32 legendas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), opera com um sistema de diretrizes conhecido como “Táticas”, segmentado em quatro frentes principais. Estas estratégias englobam métodos, abordagens de alianças, comunicação e mobilização, todas voltadas para a conquista do poder político, a aprovação de propostas legislativas e a disputa de pleitos eleitorais em qualquer nível. A primeira delas é a tática de alianças, que preconiza a formação de frentes amplas, visando a união da base tradicional de esquerda com partidos de centro e centro-esquerda para polarizar disputas eleitorais e viabilizar governos.
No contexto maranhense, onde o PT se encontra sob uma espécie de intervenção “branca”, com o diretório regional liderado pela militante Patrícia Carlos, a tática de isolar oponentes diretos (especialmente os da extrema-direita) e buscar governabilidade através de negociações legislativas – modelo amplamente adotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva – está sendo implementada, porém de maneira algo desviada.
O cenário político do PT no estado do Maranhão apresenta uma conjuntura singular em relação ao projeto de reeleição do presidente Lula. O pré-candidato ao governo, Felipe Camarão, pode chegar à convenção agendada para 1º de agosto com apenas a senadora Eliziane Gama como colega de chapa na corrida pelo Senado, e a vaga de vice-governador ainda pendente de definição nesse encontro. Francimar Melo, coordenador da campanha lulista no Maranhão e ex-presidente regional do partido, tem uma reunião marcada para hoje, 16 de julho, com Camarão para discutir os pormenores da convenção e da campanha.
Francimar Melo também participará de um encontro de nível nacional, inicialmente online, com a coordenação central da campanha de Lula. Seu objetivo é apresentar um panorama detalhado sobre a situação do partido no estado, onde o presidente possui um histórico de excelentes resultados eleitorais. Contudo, chama a atenção a postura do único deputado federal do PT-MA, Rubens Pereira Júnior, que é também vice-presidente nacional da legenda, ao aparecer com frequência em eventos de campanha do candidato a governador Eduardo Braide (PSD). Tal fato é notável, uma vez que o PSD apoia Ronaldo Caiado, um candidato de direita que concorre ao Palácio do Planalto contra Lula.
Dessa forma, o PT parece estar aplicando a tática eleitoral de alianças de uma maneira “enviesada”. Mesmo com um candidato próprio ao governo, uma pesquisa interna revela que seis dos nove membros da Executiva Regional apoiam o candidato Orleans Brandão (MDB), além de o partido controlar quatro secretarias no governo de Carlos Brandão. Um membro influente do PT, em tom de brincadeira, comenta que o partido está apenas seguindo as “táticas” que regem sua atuação.
Enquanto Rubens Júnior busca assegurar seu mandato na Câmara, aproximando-se de Braide – que, por sua vez, indicou a bolsonarista Elaine Carneiro para vice e o conservador Lahesio Bonfim para o Senado, juntamente com o ex-ministro de Lula, André Fufuca –, o PT no Maranhão permanece sem um nome forte para a vaga ao Senado e, até o momento, sem um vice para Felipe Camarão. Configura-se, assim, um cenário de jogo político complexo, onde as cartas são passadas de forma não convencional.
As demais “Táticas do PT” incluem: a de Base Social e Movimentos Populares, que visa o diálogo com sindicatos e organizações da sociedade civil, além da mobilização popular e ativismo como meios de pressionar o Congresso por pautas sociais. A Tática Ideológica concentra-se no combate às desigualdades, na defesa dos serviços públicos e na ampliação dos direitos sociais, opondo-se a agendas neoliberais e defendendo a soberania nacional. Por fim, a Tática de Organização Interna tem como foco promover a participação dos filiados nas escolhas partidárias e assegurar a pluralidade ideológica dentro da própria legenda.
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