A chapa formada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin foi oficialmente homologada neste domingo, 2 de agosto de 2026, durante a Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), realizada em São Paulo. O evento formalizou o apoio de sete agremiações políticas, incluindo PSB, PCdoB, PV, PDT e Rede, consolidando a coligação oficial para a sucessão presidencial. Em seu discurso diante de aliados e da militância, Lula utilizou o histórico dos governos petistas e as realizações de seu atual mandato para propor um novo ciclo focado em desenvolvimento nacional, soberania e reformas estruturais.

Ao resgatar os antecedentes de sua gestão para fundamentar as propostas de continuidade, o presidente contrapôs o legado de seu governo ao cenário deixado pela gestão anterior. Foram citados a retomada e o fortalecimento de programas sociais e educacionais, como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Pé-de-Meia, Prouni, Reuni e Fies, além das ações de demarcação de terras indígenas e regularização quilombola. O chefe do Executivo também ressaltou marcos econômicos recentes, com destaque para a aprovação da reforma tributária após quatro décadas de debates, a ampliação da isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil e os investimentos distribuídos por municípios de todo o país via Novo PAC.

Projetando os impactos sociais e econômicos para os próximos anos, Lula detalhou os cinco compromissos centrais que nortearão a proposta de um eventual quarto mandato: domínio e soberania sobre recursos estratégicos como terras raras e inteligência artificial, transformação estrutural da educação, criação de uma política nacional para idosos, fortalecimento da defesa e combate rigoroso à violência contra as mulheres. No âmbito governamental, o presidente destacou a necessidade de um debate democrático com o Congresso Nacional acerca do Orçamento da União e do avanço das emendas parlamentares, visando recuperar a capacidade do Poder Executivo de planejar e executar políticas públicas de longo prazo.

A convenção contou com pronunciamentos de diversas lideranças da coligação. Lula ressaltou o papel do ex-ministro da Fazenda e candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, nas negociações com o Poder Legislativo, e elogiou a atuação de Geraldo Alckmin à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Em relação ao combate ao feminicídio, o presidente citou medidas como o pagamento de pensão alimentícia via Pix e o uso de tornozeleiras eletrônicas de alerta, posição reforçada pela primeira-dama Janja da Silva em seu discurso. Ao abordar os desafios do pleito, Lula alertou sobre o uso de desinformação e inteligência artificial na disputa eleitoral, enfatizando que a prestação de contas do governo será o principal argumento perante o eleitorado.

Como encaminhamento prático das deliberações da convenção, a campanha estabeleceu o início dos atos públicos de rua para a segunda quinzena de agosto. O primeiro grande encontro com os apoiadores está agendado para o dia 16 de agosto no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), local de valor histórico para o movimento sindical e base de fundação do projeto político petista, de onde a chapa dará início às agendas de mobilização pelo país.