A Prefeitura de São Luís, por intermédio da Secretaria Municipal de Turismo (Setur), realizou na última sexta-feira a 3ª Conferência Municipal de Turismo, reunindo gestores, especialistas nacionais e representantes do setor produtivo no debate sobre inovação e sustentabilidade. Sob o tema central ‘A transformação de São Luís em destino turístico inteligente’, o evento marcou o início das discussões coletivas para a elaboração do Plano Municipal de Turismo de São Luís 2030. A iniciativa busca formatar diretrizes consistentes que consolidem a capital maranhense como um polo de atração nacional e internacional, integrando tecnologia, governança participativa e preservação da rica identidade histórico-cultural que caracteriza a região.
O debate ocorre em um cenário estratégico de reposicionamento mercadológico. São Luís integra um grupo exclusivo de 21 municípios brasileiros selecionados pelo Ministério do Turismo para participar de um programa nacional voltado à conversão em Destinos Turísticos Inteligentes (DTI). Esse movimento exige não apenas o uso intensivo de tecnologias aplicadas, mas também um ordenamento robusto do ecossistema local. Para embasar essa transição, a prefeitura firmou uma parceria de relevância nacional com o Sebrae Maranhão, por meio do Programa Cidade Empreendedora. Segundo representantes da entidade, esse convênio configura o maior contrato de cooperação direta do Sebrae com uma gestão municipal no país, refletindo o peso das ações prévias de ordenamento turístico e parcerias consolidadas nos últimos anos na capital.
A transformação da capital maranhense em um destino de ponta projeta impactos significativos para a geração de emprego e o fortalecimento do comércio local. Especialistas presentes ao encontro apontaram que a competitividade do turismo de São Luís não reside exclusivamente em suas belezas naturais e patrimônio tombado pela Unesco, mas sim na sofisticação da experiência oferecida aos visitantes e na capacitação contínua da mão de obra. Além do ganho econômico direto, a conferência chamou a atenção para o resgate do sentimento de pertencimento da população local. O envolvimento da comunidade com a própria cultura e a apropriação afetiva dos espaços públicos são considerados fundamentais, pois uma cidade só se consolida como excelente destino turístico quando é estruturada e valorizada primeiramente por seus próprios moradores.
Durante as apresentações, a secretária municipal de Turismo em exercício, Sílvia Romano, defendeu o Plano 2030 como uma política de Estado independente de transições partidárias. A relevância da articulação foi reforçada pela professora Juliana Medaglia, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que citou o modelo de Curitiba para demonstrar que o avanço tecnológico depende mais de governança compartilhada do que de altos recursos financeiros. Já o especialista Tiago Mondo, de Florianópolis, classificou São Luís como um ‘diamante bruto’ com imenso potencial para criar novos produtos e experiências customizadas. No âmbito empresarial, o diretor executivo da Fecomércio-MA, Max de Medeiros, destacou projetos como o ‘Vai Turismo’ e ‘Conexão Turismo’ para mapear impactos econômicos do setor e contornar barreiras históricas como a conectividade aérea regional.
Como desdobramento imediato da conferência, a elaboração do Plano Municipal de Turismo 2030 seguirá um cronograma participativo composto por novas reuniões de trabalho e audiências públicas abertas à sociedade civil e ao empresariado maranhense. O objetivo é assegurar transparência e representatividade de toda a cadeia de turismo nesse documento estratégico. O comitê gestor pretende definir metas claras e indicadores de monitoramento de longo prazo que orientem as ações públicas e privadas pelos próximos anos. Com o apoio técnico de parceiros institucionais e a validação do ecossistema local, a capital planeja concluir as etapas de diagnóstico e planejamento para começar a aplicar as novas diretrizes do destino inteligente nos próximos ciclos administrativos.
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