O debate promovido pela TV Mirante, realizado na noite desta terça-feira (29), foi marcado por um embate direto e incisivo entre os candidatos Felipe Camarão (PT) e Orleans Brandão (MDB). O confronto, um dos primeiros do evento, foi iniciado pelo petista, que questionou abertamente a experiência profissional e a formação acadêmica do sobrinho do governador Carlos Brandão para assumir o comando do estado do Maranhão. Camarão provocou o adversário a elencar suas credenciais para governar, estabelecendo um tom de confronto logo nos momentos iniciais da discussão, o que sinaliza a estratégia da campanha do PT em tentar desqualificar a expertise técnica do oponente, focando na biografia pregressa de Orleans como ponto de fragilidade na disputa eleitoral maranhense.

A resposta de Orleans Brandão buscou enfatizar sua atuação profissional, destacando sua formação na área de administração e sua experiência como empresário. Além disso, o candidato do MDB ressaltou os três anos em que esteve à frente da Secretaria de Assuntos Municipalistas, pasta que utilizou como base para justificar seu conhecimento sobre o estado. Orleans argumentou que, durante sua gestão na secretaria, participou ativamente de ações de infraestrutura e políticas públicas realizadas nos municípios, atribuindo a si parte do mérito pelo êxito dos programas desenvolvidos pela atual administração estadual, em uma clara tentativa de se conectar com a estrutura política e as obras do atual governo.

O ponto de maior tensão ocorreu na réplica, quando Felipe Camarão ironizou abertamente a trajetória de Orleans. O petista trouxe à tona episódios específicos, mencionando uma experiência profissional anterior do adversário em uma loja, a qual teria durado apenas 19 dias e terminado, segundo palavras do próprio Orleans citadas pelo petista, com um suposto ‘trauma’. Camarão também mencionou a participação do emedebista em torneios de pôquer antes de ingressar no serviço público. O candidato do PT elevou a crítica ao questionar a relevância administrativa da pasta comandada por Orleans, alegando que a Secretaria de Assuntos Municipalistas carecia de autonomia, sem orçamento próprio, contratos, licitações ou ordenação de despesas, o que fragilizaria o argumento de experiência de gestão.

Na sequência, Felipe Camarão utilizou o espaço para contrapor sua própria trajetória à de seu adversário. O candidato petista elencou seus 19 anos como procurador federal de carreira, sua experiência na docência e sua passagem por órgãos nas esferas municipal, estadual e federal. Camarão destacou especialmente sua gestão à frente da Secretaria de Estado da Educação, afirmando ter executado obras em todos os 217 municípios do Maranhão. O momento também serviu para uma investida política voltada ao eleitorado e aos servidores públicos; Camarão afirmou que haveria pressões eleitorais nesta reta final e incitou a autonomia dos cidadãos, declarando que o voto é secreto e que não deveria ser controlado por figuras como vereadores ou pelo atual governo.

Ao encerrar o bloco de confrontos, a postura de Orleans Brandão manteve-se defensiva, buscando refutar as críticas do petista e reafirmar sua capacidade de administração pública frente ao Governo do Estado. O debate na TV Mirante, contudo, deixou claro que a estratégia do Partido dos Trabalhadores é o questionamento incisivo da qualificação técnica do sobrinho do governador, apostando na comparação direta de currículos para polarizar o pleito. A repercussão do embate deve marcar os próximos dias da campanha, intensificando a troca de acusações entre as alas governistas e oposicionistas, enquanto o eleitorado observa a capacidade de resposta dos candidatos frente aos questionamentos sobre suas respectivas vivências administrativas e trajetórias profissionais na gestão pública estadual.