A senadora maranhense Eliziane Gama (PT) formalizou, nesta quinta-feira (24), uma cobrança direta ao governo federal para que sejam adotadas medidas urgentes diante da grave crise de abastecimento de água que afeta nove municípios do Maranhão. Por meio de dois ofícios enviados aos ministros Waldez Góes, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, e Wellington Dias, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, a parlamentar apresentou um levantamento detalhado sobre a precariedade dos serviços de saneamento básico no estado. Os documentos, emitidos originalmente na quarta-feira (23), visam assegurar prioridade na destinação de recursos e celeridade nos projetos direcionados às localidades afetadas pela escassez hídrica crônica.
A iniciativa da senadora baseia-se em um diagnóstico detalhado que reúne reclamações recorrentes e relatos dramáticos de moradores de diversas regiões maranhenses. O levantamento oficial aponta falhas graves e interrupções sistemáticas no fornecimento de água potável nas cidades de Açailândia, Balsas, Barra do Corda, Buriticupu, Codó, Penalva, Raposa, Santa Luzia e Viana. Historicamente, essas localidades sofrem com a carência de infraestrutura básica de saneamento, um problema estrutural que penaliza principalmente as comunidades rurais distantes dos centros urbanos e as periferias em rápido crescimento. A ausência de investimentos continuados ao longo dos anos consolidou um cenário de vulnerabilidade social extrema, no qual o acesso à água tratada, um direito constitucional fundamental, tornou-se um privilégio restrito a poucos moradores.
Os impactos da crise hídrica repercutem diretamente na saúde pública, na economia doméstica e na dignidade das famílias afetadas nessas nove municipalidades. Em Raposa, na Rua da Maternidade, a água que chega às poucas torneiras apresenta coloração escura e imprópria, além de sofrer cortes constantes. Na cidade de Barra do Corda, comunidades rurais enfrentam longos períodos sem abastecimento, agravados pela inoperância de um poço artesiano no Centro dos Ramos. Em Codó, no povoado Santa Rita dos Moisés, a escassez prolongada gerou dependência de caminhões-pipa, cuja distribuição é criticada por ser desigual. O cenário mais crítico de impacto financeiro é registrado em Santa Luzia, nos bairros Aeroporto e Rua do Campo, onde famílias de baixa renda sobrevivem há quase um ano comprando água mineral ou de poços privados para atender às necessidades diárias de consumo e higiene.
Nos documentos oficiais encaminhados aos ministérios em Brasília, a senadora Eliziane Gama argumentou que a situação requer intervenção imediata da União e que a liberação de aportes financeiros adicionais é imperativa. Aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pré-candidata à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores, a parlamentar ressaltou que os problemas são de natureza crônica e exigem uma coordenação eficiente entre o governo federal e as administrações municipais. Até o fechamento desta edição, os ministérios da Integração e do Desenvolvimento Social não emitiram posicionamentos públicos oficiais ou prazos específicos de resposta sobre as solicitações apresentadas, mantendo o cenário em aberto quanto à liberação efetiva de novos recursos ou autorização de obras emergenciais de infraestrutura nas regiões listadas.
Como desdobramento prático da cobrança institucional, espera-se a tramitação dos pedidos dentro dos programas federais existentes para o setor. A parlamentar solicitou ações específicas por meio do programa ‘Água para Todos’, gerido pela pasta da Integração e do Desenvolvimento Regional, e a implantação de novos reservatórios por meio do ‘Programa Cisternas’, capitaneado pelo Ministério do Desenvolvimento Social. O acompanhamento dessas solicitações será determinante nas próximas semanas para definir se o governo federal incluirá as demandas do Maranhão no cronograma de prioridades orçamentárias. A mobilização em Brasília servirá de termômetro para a viabilização de novos poços, sistemas de dessalinização e ampliação de redes de distribuição que possam, de forma definitiva, aliviar o sofrimento das milhares de famílias maranhenses que hoje sofrem com a torneira seca.
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