Em um posicionamento marcante durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (13), o ministro Flávio Dino fez um veemente apelo para que seus familiares sejam preservados em meio à efervescência de um embate público. A manifestação surge no contexto da repercussão de uma operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, que mirou indivíduos supostamente ligados à veiculação de informações pelo jornalista Luís Pablo.

A fala de Dino sucedeu a uma manifestação de solidariedade do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que sublinhou a necessidade de focar a apuração de eventuais crimes em condutas específicas, e não na legítima atividade jornalística. Esse apoio institucional serviu de preâmbulo para a defesa de Dino sobre os princípios que regem a atuação do STF e a vida privada.

Ao agradecer a manifestação de Fachin, Dino ressaltou a tradição da Corte na defesa da liberdade de imprensa, delineando dois pilares cruciais para a compreensão do momento: a legítima investigação de hipotéticos delitos e a inabalável proteção ao regular exercício profissional do jornalismo. Segundo o ministro, o STF tem um histórico robusto e inquestionável na salvaguarda desses valores.

Ele enfatizou que a linha jurisprudencial do Supremo, construída ao longo da história – inclusive em períodos de restrição democrática –, confere à Corte uma autoridade incontestável na defesa da imprensa livre. “Poucos podem dar lições ao Supremo sobre liberdade de imprensa à vista dessa tradicional linha jurisprudencial, da qual Vossa Excelência, eu e todos os colegas somos guardiões”, afirmou, destacando a coerência e a força das decisões do Tribunal.

No entanto, foi ao abordar a questão familiar que o tom do ministro se tornou mais pessoal. Com um apelo direto, Flávio Dino pediu que seus familiares fossem mantidos à margem do debate público. “Sobretudo pela minha família, que nada tem com o exercício das funções públicas e, por isso, deve ser respeitada e preservada, coisa que alguns parecem esquecer”, declarou, buscando proteger a esfera privada de seus entes queridos das tensões inerentes à vida pública.

Finalizando sua intervenção, o ministro reafirmou seu compromisso inarredável com o cumprimento de suas atribuições no STF. Dino prometeu dedicação contínua ao exercício de sua função, pautada pela “ponderação e muita coragem”, independentemente das pressões externas, reiterando sua resiliência e foco nos deveres institucionais.