Desde sua fundação em 1980, em meio à ditadura militar, o Partido dos Trabalhadores (PT) marcou presença em todas as disputas para governador do Maranhão e em quase todas as eleições municipais para prefeito de São Luís, seja com nomes próprios ou em articulações políticas. Na eleição direta de 1982, a primeira para governadores estaduais e federais, o empresário Osvaldo Alencar Rocha representou o PT na corrida ao Palácio dos Leões, acompanhado por Sebastião Alves de Brito como vice, ambos do partido, em uma época anterior às regras de coligações partidárias. Naquele ano, o então deputado federal Luiz Rocha (PDS) saiu vitorioso do pleito.

Com a aproximação das convenções de 2026, que iniciam em 20 de julho, o PT já confirmou sua participação na disputa pelo governo do Maranhão, com a candidatura do atual vice-governador Felipe Camarão, que se filiou ao partido em 2022. A convenção está agendada para 1º de agosto. No entanto, até 18 de julho, o nome para vice em sua chapa ainda não estava definido, embora os coordenadores de campanha já tivessem sido anunciados: André Bello à frente, com Diego Galdino, o Coletivo Nós da Câmara Municipal de São Luís, o veterano petista Raimundo Monteiro e a jornalista Aline Louise.

Diego Galdino possui um currículo que inclui atuação como consultor na esfera privada, com experiência como analista sênior de recursos humanos. Em sua trajetória pública, foi secretário de Cultura e Turismo por duas vezes na gestão de Flávio Dino, ocupou a Secretaria da Casa Civil no mesmo governo e comandou a pasta de Governo em duas ocasiões, tanto com Flávio Dino quanto com Carlos Brandão em 2023. No mesmo ano, foi designado secretário-executivo do Ministério da Justiça, ainda sob a administração de Flávio Dino. Ao divulgar a equipe de coordenação da campanha nas mídias sociais, Camarão optou por não emitir declarações sobre os nomes.

Temporada com os Sarney

Relembrando a trajetória do PT no Maranhão, em 1986, com Epitácio Cafeteira firmando um pacto com o então presidente José Sarney e se beneficiando do sucesso do Plano Cruzado nas urnas, o PT lançou Delta Martins ao governo, com Sebastião Rodrigues de Souza como vice. Embora já existisse o mecanismo de coligações, o partido optou por uma chapa pura. Em 1990, a legenda aliou-se ao PSB, apoiando Conceição Andrade (PSB) para o governo e Neudson Claudino como vice.

No pleito de 1994, Roseana Sarney (PFL) alcançou sua primeira vitória ao governo do estado, tendo João Alberto como vice, superando Epitácio Cafeteira (PPR), cuja chapa contava com Juarez Medeiros (PSB). Naquela ocasião, o PT formou coligação com o PDT, encabeçada por Jackson Lago, e Jomar Fernandes, ex-prefeito de Imperatriz, como vice. Em 1998, Roseana foi reeleita em primeiro turno, novamente contra Cafeteira. O PT concorreu com o deputado Domingos Dutra e Uílio Silva, com o apoio exclusivo do PCB. Em 2002, José Reinaldo foi eleito pelo PFL, enquanto o PT apresentou Raimundo Monteiro mais uma vez, com Uílio Silva na vice.

No cenário nacional, em 2002, Lula foi eleito presidente do Brasil no segundo turno, com expressivos 53 milhões de votos, após três tentativas anteriores. Esta foi a quarta eleição presidencial desde a Constituição de 1988, documento para o qual ele contribuiu como deputado constituinte. A bancada do PT na legislatura contava com 12 deputados. À época, Lula se destacou como o segundo presidente mais votado globalmente, superado apenas por Ronald Reagan na eleição norte-americana de 1984. Neste século, o PT conquistou cinco eleições presidenciais no Brasil, com quatro vitórias consecutivas, um feito inédito na história democrática do país.

Só elegeu um vice-governador

No contexto maranhense, o Partido dos Trabalhadores alcançou a eleição de apenas um vice-governador até então: Washington Oliveira, na chapa de Roseana Sarney (MDB), em 2010. A formação dessa aliança resultou de uma intervenção da direção nacional do PT, e a dupla governou o estado de 2011 a 2013. A campanha televisiva de Roseana foi notavelmente marcada por intensa oposição à sua candidatura. Em setembro daquele ano, aproximadamente cinco mil estudantes, articulados pelo movimento “Fora Roseana” com forte mobilização online, realizaram uma passeata da Praça da Bíblia ao Palácio dos Leões, com o protesto sendo transmitido ao vivo pelo Twitter.

Durante as eleições de 2014, que culminaram na vitória inédita de Flávio Dino (PCdoB) no cenário político do Maranhão, o MDB de Roseana debateu a manutenção da aliança com o PT e o governo Dilma Rousseff. Roseana teve um papel ativo na política nacional e endossou as escolhas de seu partido, incluindo a ruptura com o PT e com a então presidente Dilma, além de apoiar o processo de impeachment. Contudo, uma parcela do PT optou por apoiar a candidatura de Flávio Dino e integrou seu governo.

Unido com o PCdoB de Dino

Em 2018, o PT integrou a coligação “Todos pelo Maranhão”, encabeçada por Flávio Dino, que foi reeleito em primeiro turno com o apoio de 16 partidos, mantendo Carlos Brandão como vice, agora filiado ao PRB. Esta breve análise ilustra a complexa trajetória do PT no Maranhão ao longo de 46 anos, marcada por ascensões e desafios em cada pleito. Atualmente, o partido, que tantas vezes ocupou o Palácio do Planalto, depara-se com consideráveis obstáculos para conquistar o Palácio dos Leões com a candidatura de Felipe Camarão.

A ideologia do PT fundamenta-se nos princípios do socialismo democrático, visando à justiça social, à diminuição das desigualdades, à valorização dos trabalhadores e ao fortalecimento do Estado no fomento ao desenvolvimento econômico. Embora essa plataforma programática seja aplicada em nível federal, no Maranhão, o partido ainda precisa de um esforço significativo em âmbito local para alcançar a liderança do governo estadual.

Para as eleições de outubro, o candidato petista está em oposição ao atual governador, Carlos Brandão, que ocupa o Palácio dos Leões. Curiosamente, o PT mantém uma sólida presença na estrutura governamental, detendo secretarias, centenas de cargos e com a maioria de sua Executiva Estadual apoiando o candidato do MDB, Orleans Brandão. Este, por sua vez, declara apoio à reeleição do presidente Lula, que busca seu quarto mandato na liderança da República Brasileira.